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Blog Beach 2009

Posted by InTrUdEr on 15:34 in ,
Quem viaja para locais distantes, e por culpa das ainda caras passagens de avião, opta pelos ônibus de turismo, deve se identificar com o que passei em minha recente viagem a Bombinhas- Santa Catarina, para ir ao Blog Beach 2009.

Do Rio de Janeiro até lá, houvesse ônibus direto, seriam 17 horas de viagem. Mas Murphy (aquele das coisas que dão errado) também gosta de viajar, e me acompanhou o tempo todo.

Pra começar que na rodoviária do Rio não tem ônibus direto. Sendo assim, a opção é ir para a cidade mais próxima e de lá pegar outro. Moleza. Vou pra Itajaí e de lá para Bombinhas que, disseram, fica distante uns 20 a 30 minutos.

Rodoviária do Rio de Janeiro, 23:00 de sexta.

Após um maravilhoso dia de trabalho, aonde nada dava certo de imediato, levando sempre 1 hora a mais para qualquer tarefa que durasse 15 minutos (Murphy já devia estar comigo e não notei), cheguei a rodoviária e procurei o guichê da empresa que faria o trajeto Rio-Itajaí. Fui informado que o único ônibus que faz o trajeto pra lá diariamente tinha saído às 22 h, e o próximo somente no mesmo horário no dia seguinte.

NÃO MESMO que eu ia perder o sábado inteiro esperando ele.
Próxima opção: Rio -Curitiba.
Me dizem que está lotado, e o próximo somente 6 da manhã.
NÃO MESMO que eu ia perder 7 horas de viagem sentado na rodoviária esperando.
Próxima opção: Rio – São Paulo.-Ok senhor. Temos um saindo em 20 minutos, na plataforma 50.
- É esse aí mesmo. Dá uma de janela.

Entrei no ônibus, me acomodei na cadeira, e fiquei aguardando quem iria sentar do meu lado na viagem de 6 horas entre as duas cidades. A fila estava grande, e comecei a olhar cada uma das pessoas que iam entrando, tentando adivinhar quem seria.

Na fila estavam 4 casais, que provavelmente compraram passagem juntos, e viajariam juntos.
Descartei.
2 gostosas com travesseiros na mão, conversando muito. Com certeza irão falar a viagem toda, perturbando quem quer dormir. E estarão juntas.
Descartei.
3 senhores de terno, com pastas de couro. Todos bigodudos e obesos.
Fatalmente um deles vai sentar do meu lado e dormir/roncar a noite toda.
Um dos 3 senhores é fumante de charuto, e deve estar pensando se pode fumar dentro do ônibus.

Você, leitor, tem exatamente 2 segundos pra...
Exatamente.
Um dos senhores bigodudos obeso e fumante de charuto foi o que sentou-se do meu lado. Valeu Murphy. Te devo essa.
















Quem me conhece sabe o quanto eu abomino a fumaça de cigarro. Não tem propósito, não tem cheiro bom, não tem sentido nenhum fumar. É destrutivo, é idiota, é triste. Um fumante deveria pensar mais sobre o que faz e perceber o mal que causa a si e a outros.
Da mesma forma que um fumante me diz que o corpo é dele e que ninguém tem nada com isso, eu digo o mesmo. Não me importo que você fume, desde que não seja perto de mim.

Voltando a viagem, o tal senhor de terno obeso fumante que a partir de agora chamarei de SETOFU (senhor de terno obeso fumante), veio vindo pelo corredor e olhou para o número da poltrona ao meu lado. Sorriu (nem sei pra quê) e sentou.

&$#&(*@¨&$%(@*%$# QUE CHEIRO DE BOSTA É ESSE?

Não agüentei e falei mesmo. Vai feder assim no inferno. Cagou nas calças? Vou passar mal contigo do meu lado 6 horas. E essa janela que não abre? Ô Merd@!

Logicamente as palavras não foram essas, mas eu pensei em falar assim.

Os outros passageiros, logicamente, olharam pra mim. Num misto de surpresa e medo, de um maluco falando alto. O motorista veio ver o que acontecia e quando chegou perto me deu razão sem nem mesmo perguntar nada.

SETOFU foi convidado a sentar-se na poltrona 44, depois de ser advertido verbalmente pelo motorista sobre NÃO FUMAR NO INTERIOR DO VEÍCULO, e nem no banheiro.

Chegando em São Paulo, 5:30 da manhã, fui ao guichê que dizia ITAJAÍ, PARTIDAS DIÁRIAS.
- Oba. Agora vou direto. Bom dia!
O atendente saindo do mundo dos sonhos me atendeu solícito.
- Uaaaaah! Bom dia senhor. Pra onde?
- Itajaí.
- Certo. O primeiro às 12:00... e o último às 18:00.
- NÃO MESMO que eu vou perder 6 horas aqui em São Paulo parado. Tem pra Curitiba?
- Tem sim senhor, saindo em 1 hora daqui.
- É nesse que eu vou. Me dá uma janela sem SETOFU.
- Como senhor? Setoquê?
- Deixa pra lá.

Fui pra área VIP (uia) da empresa e acessei a internet. Quase dormi naquele ar-condicionado + silêncio. Se não fosse a moça anunciar a partida eu ficaria lá.

A caminho de Curitiba
, segundo ônibus, mais 6 horas de viagem. Essa parte não tem SETOFU nem nenhuma outra “emoção forte”. Somente uma freada brusca na descida da serra por causa de um caminhão que fechou o ônibus, que acordou todo mundo que estava com cinto de segurança de uma maneira delicada.
Quem não estava de cinto foi parar embaixo das poltronas.
Cinto de segurança.
Use sempre
!

Chegando a Curitiba, por volta de 12:40 h, fui procurar quem fazia a rota para Bombinhas – SC.
Agora uma dica pra entender o que aconteceu. Em Curitiba, as pessoas falam muito rápido, e colocam ao final de cada frase um “daí”.
Então, nesse diálogo, leia a parte em negrito mais rápido.

-Bom dia.
-Bom dia daí...
-...
-Sim. O que queres daí?
-...
-...
- Daí o que, minha senhora?
- És do Rrrrrio?
- Sim.
- E vais pra onde, daí?
- Daqui eu vou pra Bombinhas.
- Pra Bombinhas já saiu daí.
- Daí de onde?
- Daqui, daí.
- Mas saiu daqui e daí?
- Saiu daqui de Curitiba pra Bombinhas daí.
-E de lá vai pra outro lugar?
- Não daí. De bombinhas ele volta daí.
- Mas ele vai pra Bombinhas e volta ou saí daqui e vai pra lá?
- Ele sái daqui daí, daí ele vai pra lá daí.
- To entendendo nada, mas vamos lá. Tem pra Bombinhas quando?
- Já saiu daí.
-Saiu de onde?
- Daqui daí.
- Aff! Tudo de novo?
- De novo? Já foste pra Bombinhas daí?
- Não. Primeira vez que vou pra lá. Tem outro ônibus saindo daqui que horas?
- Pra Bombinhas não tem mais hoje daí.
- A senhora falando daí, parece que o ônibus saiu daqui de onde estou.
- Mas tu queres ir pra Itapema daí?
- Itapema é perto de Bombinhas?
- É 20 minutos daí.
- Me disseram que daqui pra lá são 5 horas de viagem. Agora a senhora diz que pra Bombinhas são 20 minutos daqui?
- Vinte minutos de Itapema daí.
- Ahh, daqui até Itapema são 20 minutos? E pra bombinhas mais 20?
- Não senhor. O senhor está fazendo confusão daí...
- Eu?
- Daqui até Itapema são 5 horas de viagem daí, e de Itapema pra bombinhas são 20 minutos de lá daí.
- Putz. Faz o seguinte. Me vê uma passagem pra Itapema que de lá eu me viro daí.
- Se vira daqui de lá daí?

















Chegando em Itapema - SC, fui direto no guichê procurar passagem pra Bombinhas. Já malandro nos esquemas dos conversation of pessoas do sul, mandei na lata.

- Ônibus pra Bombinhas sai que horas daí?
- Ele sai daqui em 20 minutos. É da empresa Praiana.
- Então me veja uma passagem.
- O senhor é carioca não é?
- Sou, mas como descobriu?
- O senhor tentou falar que nem catarinense comigo, mas dá pra notar os “s” virando “x” nas palavras como “ônibuxxx”.

FFFUUU...

Bom, tenho 20 minutos, vou fazer um lanche.
Salgado + refrigerante = 5 reais
O salgado tava com cara de “fui feito ontem não me coma”.

Com a mochila nas costas, o salgado na mão direita e o refrigerante na esquerda, vejo um ônibus chegando no terminal. Paguei correndo e correndo fui até ele. Boca cheia de coxinha, perguntei pro cobrador.

-Bombschinshas?
-Como senhor?
-Bonfgbshinhas?
- Isso. Pode subir.

Me acomodei na primeira poltrona vazia e fui terminar o lanche.

Depois de 45 minutos de viagem e nada de chegar em Bombinhas, fui lá perguntar pro motorista se faltava muito.

- Por favor senhor doutor condutor do veículo, falta muito pra Bombinhas?
- Bombinhas? Não estamos indo pra lá.
- Como não? Eu perguntei quando entrei e o senhor disse que sim.
- Não amigo. Estamos indo pra Balneário Camboriú.
-Ihh Ca*¨$#*&@$%&lho.
- Desce aqui e pega o que volta. Deve estar passando em 30 minutos.

Murphy loves me...

Fiquei lá, no meio do nada, entre Itapema e Bombinhas, anoitecendo, só passava bicicleta, barulhos de grilo, mosquitos, sozinho, quero minha mãe!

Lá vem o ônibus. E pela quinta vez não era o pra Bombinhas.
Na sexta vez era, e 1 hora depois finalmente cheguei na cidade.

A quase 20 minutos de carro de onde me hospedaria...


Intruder tem certeza que ano que vem não passará por isso, indo de avião pra Florianópolis e fazendo uma viagem de apenas duas horas contra as 23 que passou dentro de ônibus com SETOFU e daí.

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Drogas e seus dependentes

Posted by InTrUdEr on 21:08 in ,


















Estava eu em uma reunião de minha família quando aconteceu.

Acabei de ver no telejornal a seguinte notícia:

O número de viciados em crack do Rio Grande do Sul está tão grande que não há mais vagas nas clínicas de desintoxicação. Autoridades alarmadas com o aumento dos viciados dizem não haver mais como internar as pessoas para tratamento.

Foi eu terminar de escutar isso e falei: - Pra que clínica de desintoxicação? – Deixa eles morrerem logo. Servem pra nada. Burro tem mais é que morrer de uma vez e parar de gastar dinheiro com coisa inútil.

Pronto! Tias e primos se uniram e começaram a me criticar, dizendo todos ao mesmo tempo seus argumentos que, segundo eles, validavam o gasto com os drogados que queriam se recuperar, com as clínicas, com os profissionais que cuidam deles.
Falaram do lado humano, do lado religioso, de ajudar ao próximo, do direito a vida, da redenção dos pecados, e mais um monte de justificativas.

Deixei todo mundo falar o que quis sem questionar. Só aguardando a minha vez.

Quando todos estavam satisfeitos com seus argumentos, fiz uma pergunta hipotética:

- Você tem 2 pessoas que estão precisando de cuidados médicos. Uma é um viciado querendo se livrar das drogas. A outra é uma pessoa que nunca se drogou. O histórico do ex-viciado é o comum a maioria. Filho de pais relapsos ou ausentes, que entrou para o mundo das drogas, gastou o que tinha e quando não tinha roubou, talvez tenha matado, etc. A vida do outro paciente, que nunca se drogou é uma vida comum, sem muitos altos e baixos, apenas mais um brasileiro padrão. Pai de família, trabalhador, nenhuma passagem pela polícia, ficha limpa.

Qual dos dois é sua primeira opção para ajudar nesse momento de necessidade?

Eu sou a favor de tratar quem não quer se matar.

Quem tem prioridade? Quem se destruiu, quem foi burro o bastante pra usar drogas, quem não passa um minuto sem pensar em como vai se drogar de novo, quem não produz nada que preste, quem causa sofrimento aos familiares, quem tem surtos violentos, quem perde o controle em uma crise de abstinência?

Por isso digo e repito para quantos quiserem ouvir.

Ninguém te obriga a usar drogas. A opção foi sua. Quis usar, se deu mal, e agora quer ajuda? Quantos avisos de que drogas são prejudiciais a saúde você leu antes de se viciar?

Faça um favor a todos os outros nesse planeta.

Pede pra sair.

Burrice é hereditária.
Drogados, façam outro favor.
Castrem-se.











Intruder não tem paciência para qualquer coisa que entorpeça a mente, em nenhum nível.

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